Nova passagem subterrânea Masp transforma visitação

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O Museu de Arte de São Paulo inova com uma conexão subterrânea entre seus edifícios, integrando arte imersiva e facilitando o acesso ao público.

A passagem subterrânea Masp, um marco arquitetônico e cultural, foi inaugurada recentemente sob a movimentada Avenida Paulista, em São Paulo. Esta estrutura inovadora conecta os dois edifícios do renomado Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e se destaca por abrigar uma instalação artística inédita da aclamada artista carioca Beatriz Milhazes. A iniciativa visa aprimorar a experiência dos visitantes e otimizar a logística interna do museu, consolidando sua posição como um polo cultural vibrante.

Engenharia e arte sob a Avenida Paulista

A nova estrutura, com 50 metros de extensão, situa-se precisamente abaixo da Avenida Paulista, um dos mais importantes cartões-postais da capital paulista. Sua construção representou um desafio de engenharia significativo, iniciando-se com a edificação do teto e das paredes laterais, para só então proceder à escavação. O resultado é uma proeza arquitetônica: uma construção subterrânea que é considerada a primeira construção subterrânea dessa escala em um museu na América Latina.

O projeto inclui três claraboias estrategicamente posicionadas, que permitem a entrada de luz natural e oferecem uma perspectiva única, possibilitando aos visitantes observar o movimento dos pedestres na calçada acima. Essa integração visual cria uma conexão surpreendente entre o ambiente subterrâneo e a efervescência urbana da superfície, enriquecendo a imersão na experiência museológica.

Pietrolina: a fusão de nomes e cores

O grande destaque artístico da passagem subterrânea Masp é a obra imersiva intitulada “Pietrolina”, criada pela renomada Beatriz Milhazes. Este nome especial é uma homenagem aos fundadores do museu, Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, unindo seus legados em uma única expressão artística. Com 98 metros de extensão, esta instalação representa o maior trabalho já concebido pela artista, que é reconhecida internacionalmente por sua vibrante paleta e complexidade composicional.

Em depoimento divulgado pelas redes sociais do museu, Milhazes revelou que o ponto de partida para “Pietrolina” foi sua própria pintura “Avenida Paulista”, tela doada por ela ao Masp em 2020. A obra subterrânea reflete a ideia de um desfile contínuo de imagens, onde o observador é convidado a percorrer o espaço, imergindo em um universo de cores e formas que dialogam com a paisagem urbana e a própria história do museu.

O processo criativo de uma obra monumental

A concepção de “Pietrolina” envolveu mais de dois anos de elaboração detalhada do projeto, culminando em três meses dedicados à execução da pintura diretamente nas paredes da passagem. Beatriz Milhazes descreveu o minucioso processo, que começou com estudos em planta de arquitetura, utilizando lápis, e progrediu para o desenvolvimento de uma paleta de cores específicas com tinta acrílica, escolhida pela sua versatilidade e durabilidade.

A artista também enfatizou a importância de uma maquete física, ferramenta essencial para testar a funcionalidade e o impacto visual da obra em escala reduzida antes da aplicação final. O mural incorpora elementos característicos da produção de Milhazes, como referências carnavalescas, arabescos, listras e motivos florais, que se entrelaçam para criar uma narrativa visual dinâmica e envolvente ao longo de toda a passagem.

Impacto na experiência do visitante e funcionalidade

Paulo Vicelli, diretor de Experiência e Comunicação do Masp, destacou a importância multifacetada da nova passagem subterrânea Masp. Além de oferecer um percurso seguro e confortável para os visitantes entre os dois prédios, a estrutura tem um papel fundamental na logística interna do museu, permitindo o transporte eficiente de obras de arte e equipamentos, o que antes exigia operações mais complexas e arriscadas pela superfície da Avenida Paulista.

A conexão, agora completa, não só aprimora a fluidez do público pelas exposições, mas também enriquece a jornada cultural com a presença da obra de Beatriz Milhazes. O espaço se torna, por si só, uma galeria de arte a ser explorada, elevando a qualidade da visita e proporcionando um “algo a mais” que transcende a simples funcionalidade, transformando o trajeto em parte integrante da experiência artística.

Acesso ao museu e o futuro da interação

A abertura desta inovadora passagem subterrânea Masp reforça o compromisso do museu com a acessibilidade e a inovação cultural. O Masp mantém sua política de entrada gratuita às terças-feiras, além de oferecer acesso livre nas sextas-feiras, entre as 18h e as 20h30. Essas iniciativas visam democratizar o acesso à arte e atrair um público ainda mais diverso para suas exposições e agora, para esta nova e cativante instalação.

A expectativa é que a passagem não apenas melhore a infraestrutura física do Masp, mas também inspire novas abordagens na curadoria e na forma como os visitantes interagem com o acervo e as mostras temporárias. A união entre arquitetura de ponta e arte contemporânea de alto nível estabelece um novo padrão para a experiência museológica no Brasil, prometendo um futuro de ainda maior engajamento e inovação.

Caminhos que se abrem: o legado da inovação no Masp

A integração da passagem subterrânea Masp ao complexo museológico representa mais do que uma expansão física; é uma declaração sobre a visão contínua do Masp em ser um centro de vanguarda. Ao unir funcionalidade e arte em um ambiente antes inexplorado, o museu não só otimiza suas operações diárias e a jornada do visitante, mas também reafirma seu compromisso com a arte moderna e a arquitetura icônica. Este novo caminho subterrâneo é um convite à descoberta e promete redefinir a forma como a cidade de São Paulo interage com um de seus maiores tesouros culturais, criando um legado duradouro de inovação e acessibilidade.

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