Exposição 3 Obás de Xangô celebra cultura baiana

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A Exposição 3 Obás de Xangô marca a inauguração da nova unidade da Caixa Cultural no histórico Pelourinho, em Salvador, um evento que promete mergulhar os visitantes na rica tapeçaria da cultura baiana. Esta mostra sem precedentes celebra a profunda amizade e o legado de três ícones que, cada um à sua maneira, moldaram a percepção da Bahia para o mundo: o escritor Jorge Amado, o cantor e compositor Dorival Caymmi e o pintor e escultor argentino naturalizado brasileiro Carybé. A iniciativa, abrigada no recém-revitalizado Palacete Saldanha, convida à reflexão sobre a interseção entre arte, religiosidade, memória coletiva e a identidade cultural afro-brasileira que pulsa na capital baiana, destacando a importância dos Obás de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá.

Com a abertura oficial da Caixa Cultural no coração do Pelourinho, a cidade de Salvador ganha um novo polo de difusão artística. O espaço, localizado na Rua Saldanha, passa a ser um ponto de encontro para a cultura, reafirmando o compromisso com a valorização do patrimônio material e imaterial da Bahia. A escolha da exposição de estreia não poderia ser mais emblemática, conectando o novo equipamento cultural a figuras que encarnam a alma plural e vibrante da região.

A Exposição 3 Obás de Xangô: diálogo entre arte e fé

O cerne da Exposição 3 Obás de Xangô reside na honraria recebida por Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé como Obás de Xangô no renomado Ilê Axé Opô Afonjá. Este título, conferido a personalidades notáveis que contribuem para a preservação e valorização da cultura afro-brasileira e suas tradições religiosas, estabelece um elo simbólico entre os três. A mostra explora como essa irmandade espiritual se entrelaça com suas produções artísticas, evidenciando o profundo respeito e a conexão com o universo do candomblé e a intelectualidade negra que foi fundamental para a compreensão do ministério de Xangô.

A trajetória de Jorge Amado e Dorival Caymmi com a Bahia é amplamente reconhecida, perpetuada em inúmeros livros e canções que se tornaram hinos da identidade local. Contudo, a exposição realça a figura de Hector Julio Páride Bernabó, o Carybé, cujas origens argentinas não o impediram de ser um dos mais fiéis cronistas visuais da cultura afro-brasileira. Suas obras, repletas de detalhes sobre os rituais do candomblé e o cotidiano popular baiano, demonstram uma imersão e um entendimento raro que o consagraram como um dos grandes intérpretes artísticos da Bahia.

O Palacete Saldanha: um novo lar para a cultura

A nova unidade da Caixa Cultural em Salvador ocupa o histórico Palacete Saldanha, um imponente edifício com mais de **7,8 mil metros quadrados**. Este local icônico, que abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de **130 anos**, possui uma rica história cultural. A revitalização do palacete para sediar a Caixa Cultural representa um importante investimento na infraestrutura cultural da cidade, oferecendo um espaço moderno e adequado para grandes eventos e exposições. A capital baiana já conta com outra unidade em funcionamento na Rua Carlos Gomes, no Centro, mas a do Pelourinho promete um novo fôlego ao centro histórico.

Legado e representatividade afro-brasileira em foco

A exposição “3 Obás de Xangô” dedica-se a sublinhar a centralidade do candomblé e das lideranças femininas negras na formação do imaginário cultural baiano. A mostra reúne trabalhos de mais de **45 artistas** das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia, todos voltados para os homenageados e o universo que os cercava. Através de documentos e registros históricos, é evidenciado o papel crucial das mães de santo na preservação, organização e transmissão dos saberes ancestrais afro-brasileiros, ressaltando sua autoridade e sabedoria como pilares da comunidade.

O percurso expositivo é inteligentemente dividido em núcleos temáticos que guiam o visitante por diversas camadas de significado. Eles abordam o matriarcado nas religiões de matriz africana, a complexidade dos saberes produzidos nas comunidades de axé, a poderosa simbologia de Xangô, a amizade singular entre os três Obás e as transformações contemporâneas das expressões artísticas afro-brasileiras. Cada núcleo contribui para uma compreensão mais profunda da riqueza cultural e espiritual que a Bahia oferece.

O que se sabe até agora sobre a exposição?

A Exposição 3 Obás de Xangô está em cartaz na nova Caixa Cultural do Pelourinho, Salvador, celebrando Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. A entrada é **gratuita** e a visitação ocorre de terça a domingo, incluindo feriados, das **9h às 18h**. A mostra fica disponível até **06 de dezembro**, oferecendo uma oportunidade imperdível para o público explorar a arte, a religiosidade e a identidade cultural baiana através da perspectiva destes grandes nomes, com foco no candomblé e na intelectualidade negra. O acervo inclui obras de diversos artistas e documentos históricos relevantes.

Quem está envolvido na celebração da cultura?

Além dos homenageados – Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – a exposição conta com a participação de mais de 45 artistas visuais, músicos, literatos e fotógrafos que contribuem com suas obras e registros. A Caixa Cultural é a instituição promotora, utilizando o Palacete Saldanha, um espaço com longa história de fomento à arte e educação. A curadoria e a produção envolvem especialistas na cultura afro-brasileira, garantindo a fidelidade e profundidade dos temas abordados, com destaque para a atuação das mães de santo e a comunidade do Ilê Axé Opô Afonjá.

O que acontece a seguir na agenda cultural de Salvador?

Após o encerramento da Exposição 3 Obás de Xangô em 06 de dezembro, a nova Caixa Cultural do Pelourinho continuará a ser um vibrante centro de atividades artísticas e culturais. O objetivo é que o espaço abrigue uma programação diversificada, com exposições, espetáculos e projetos educativos que contemplem a pluralidade da produção artística local e nacional. A expectativa é que o Palacete Saldanha se estabeleça como um ponto de referência cultural, atraindo visitantes e moradores para o histórico bairro, consolidando Salvador como um polo cultural de destaque.

Legado imortal e o futuro da memória baiana no Pelourinho

A inauguração da Caixa Cultural no Palacete Saldanha com a Exposição 3 Obás de Xangô transcende a mera apresentação artística; ela solidifica um novo capítulo para a preservação e difusão da memória cultural baiana. Ao dar visibilidade a Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé, e sobretudo ao contexto afro-religioso que os uniu, a exposição reforça a importância de vozes e tradições muitas vezes marginalizadas. Este novo centro cultural no Pelourinho não apenas homenageia o passado, mas também projeta um futuro onde a rica herança africana e a identidade pluricultural da Bahia continuem a ser celebradas, estudadas e vividas, inspirando novas gerações e fortalecendo o elo entre arte, fé e comunidade. O impacto desta iniciativa cultural será duradouro, reverberando na vitalidade artística e na consciência histórica da cidade.

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