O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), por meio de seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), formalizou uma significativa denúncia milícia e facção Rio. Nesta quinta-feira, 20 pessoas foram formalmente acusadas de integrar núcleos criminosos vinculados à milícia que atua em Curicica, na zona oeste da capital fluminense, e ao Terceiro Comando Puro (TCP). A ação representa um passo importante no enfrentamento às organizações criminosas que impactam a segurança pública carioca, revelando ramificações e alianças estratégicas que desafiam as forças de segurança. A investigação aprofundada expõe a complexidade e o alcance dessas redes ilícitas, que incluem até mesmo agentes de segurança.
Acusações e envolvimento de policiais militares
Entre os indivíduos denunciados pelo Gaeco, destacam-se dois policiais militares. Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM), no Méier, e Leo Carlos Araújo Santos, que atua no 2º BPM, em Botafogo, figuram na lista de acusados. Ambos são investigados por sua suposta atuação no fornecimento e na intermediação de armas e munições. Este material bélico era destinado tanto à milícia de Curicica quanto ao TCP, fortalecendo a capacidade de operação e intimidação desses grupos. A presença de agentes públicos em esquemas criminosos agrava a preocupação com a corrupção e a infiltração nas instituições.
Os crimes atribuídos aos denunciados são graves e abrangem a constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito. A denúncia detalha a estrutura hierarquizada e a divisão de tarefas dentro da milícia de Curicica, indicando um alto nível de organização e planejamento criminoso. A investigação se aprofunda nos mecanismos que permitem a perpetuação dessas atividades ilícitas, que corroem a ordem social e a segurança dos cidadãos fluminenses.
A organização da milícia e suas fontes de financiamento
A milícia de Curicica é descrita pelo Ministério Público como uma estrutura altamente organizada, com lideranças bem definidas e papéis específicos para seus integrantes. André Costa Bastos, conhecido pelos codinomes “Boto” ou “Redbull”, mesmo estando sob custódia em um sistema penitenciário federal, é apontado como o comandante estratégico do grupo. A liderança operacional, por sua vez, seria exercida por Osmar Silva de Souza, também identificado como “Messi” ou “Novinho”. Essa configuração demonstra a resiliência dessas organizações, capazes de manter sua influência mesmo com líderes presos.
As fontes de financiamento dessa milícia são diversas e exploram a vulnerabilidade de moradores e comerciantes. O grupo realiza a cobrança de valores extorsivos, impostos ilegais sobre serviços e bens, além de se envolver em roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e em outras regiões adjacentes. Essas atividades geram lucros significativos, que são reinvestidos na manutenção da estrutura criminosa e na aquisição de armamentos, ampliando seu poder de coerção e domínio territorial. A denúncia milícia e facção Rio busca desarticular essa base financeira.
Aliança estratégica com o Terceiro Comando Puro (TCP)
As investigações revelaram uma aliança entre a milícia de Curicica e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa com forte atuação nos complexos da Maré e da Pedreira. Este pacto de não agressão e cooperação operacional demonstra a capacidade desses grupos de formar coalizões para fortalecer suas posições no cenário do crime organizado. O objetivo principal dessa união seria o apoio mútuo contra grupos rivais, especialmente o Comando Vermelho, em disputas territoriais e pelo controle de atividades ilícitas. Yuri Guimarães Soares, conhecido como “Lirow”, é apontado como o elo crucial entre a estrutura paramilitar da milícia e os integrantes da facção criminosa.
Além da proteção mútua, a aliança facilitaria o comércio ilegal de armas e drogas, garantindo um fluxo constante de recursos e material bélico para ambos os grupos. A denúncia milícia e facção Rio ainda ressalta o comércio clandestino de armamento de alto poder ofensivo, incluindo fuzis, pistolas e uma vasta quantidade de munições. Essa capacidade de armamento pesado é um dos pilares que sustenta o poderio e a violência dessas organizações, representando um risco iminente à sociedade.
O que se sabe até agora
O Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio do Gaeco, denunciou 20 pessoas por envolvimento com a milícia de Curicica e o TCP, nesta quinta-feira. Os crimes incluem constituição de milícia privada e tráfico de armas/drogas. Dois policiais militares foram identificados entre os acusados, suspeitos de intermediar armamento para os grupos criminosos, evidenciando a complexidade das investigações.
Quem está envolvido
O Gaeco do MP-RJ é o órgão acusador. Entre os envolvidos, estão 20 pessoas, incluindo os PMs Jorge Anastácio Rodrigues Simões e Leo Carlos Araújo Santos. A milícia de Curicica, liderada por André Costa Bastos (“Boto”) e Osmar Silva de Souza (“Messi”), e o Terceiro Comando Puro (TCP), com Yuri Guimarães Soares (“Lirow”) como elo, são as organizações criminosas centrais da denúncia.
O que acontece a seguir
O Juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital decretou as prisões preventivas dos denunciados, visando à preservação da ordem pública e ao risco de reiteração criminosa. Os policiais militares acusados serão encaminhados à Unidade Prisional da corporação, em Niterói, e submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) para avaliar sua permanência na Polícia Militar.
Posicionamento da polícia e medidas administrativas
Em resposta à denúncia, a Polícia Militar do Rio de Janeiro emitiu um comunicado. A corporação informou que sua Corregedoria Geral acompanhou a ação do Gaeco nesta quinta-feira, que resultou no cumprimento de dois mandados de prisão contra os policiais militares mencionados. Este acompanhamento demonstra o compromisso institucional com a transparência e a apuração de condutas ilícitas envolvendo seus membros, essenciais para a manutenção da credibilidade da força policial perante a sociedade.
Os policiais detidos serão imediatamente encaminhados à Unidade Prisional da corporação, localizada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Lá, permanecerão à disposição da Justiça, aguardando os desdobramentos do processo criminal. Adicionalmente, a nota da Polícia Militar enfatiza que os agentes serão submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs), que terão como objetivo principal avaliar a permanência dos acusados nos quadros da corporação. Essas medidas administrativas são cruciais para reafirmar a integridade da instituição e afastar elementos que desviam dos princípios éticos e legais do serviço policial, fortalecendo a confiança pública nas ações de segurança.
Impacto nas estruturas criminosas cariocas
A denúncia milícia e facção Rio do Ministério Público não apenas expõe a profunda articulação entre grupos criminosos e a infiltração em esferas estatais, mas também representa um esforço contínuo para desmantelar as redes de crime organizado que há décadas assolam a cidade. A prisão de figuras de liderança e a identificação de elos entre milícias e facções como o TCP são vitais para enfraquecer suas operações financeiras e logísticas. Contudo, o cenário complexo do Rio de Janeiro exige uma vigilância constante e ações integradas entre as diversas instituições para coibir a reorganização desses grupos. A proteção da população e a garantia da ordem pública dependem diretamente da eficácia dessas operações e da persistência na perseguição a todas as formas de criminalidade organizada. A sociedade fluminense acompanha atenta os próximos passos dessa importante investida contra o crime.
